A maioria das empresas de grande porte e
multinacionais têm entre suas responsabilidades desenvolver orçamentos para
seus períodos de operação. Um orçamento empresarial deve detalhar quais serão
as receitas e despesas da companhia dentro de períodos futuros. A elaboração de
um orçamento deve sempre ser feita com base nas previsões, nunca limitando a
sua elaboração ao histórico, aos resultados e pressupostos passados. A adoção
de uma estratégia deste tipo, de elaboração de orçamentos exclusivamente com
base nos pressupostos passados constitui um erro estratégico, cujo resultado é
invariavelmente o desperdício. Recorrendo a uma imagem simples, elaborar um
orçamento desta forma é como conduzir um carro com os olhos exclusivamente
postos no retrovisor. Um bom exemplo disto mesmo é o orçamento geral do Estado
português, em que se verifica que os gastos dos últimos dois meses do exercício
são cerca de dez vezes superiores ao do restante tempo do mesmo, no sentido de
cada departamento minimizar o risco de ser alvo de cortes orçamentais no
futuro. As empresas que elaborem os seus orçamentos com base unicamente no seu
histórico revelam uma tremenda falta de objetivos. Em suma, quem não conhece o
seu rumo, não tem ventos favoráveis. Uma vez delineados os objetivos
estratégicos, que têm necessariamente que ser quantificados e pressupõem um
consciência plena da situação em que a organização se encontra, ficarão a cargo
da diversas áreas operacionais as iniciativas, regidas pelos planos de
atividade. O orçamento, resultará precisamente do somatório destes planos de
atividade, sendo que este período é vulgarmente designado por período de
consolidação orçamental. Entende-se assim a necessidade de haver envolvimento
pleno e coordenado de toda a organização na elaboração do Orçamento. Em síntese,
um orçamento é um processo multi cíclico que culmina no equilíbrio entre os
objetivos estratégicos, as iniciativas e os meios financeiros adequados à
execução do mesmo. Um orçamento equilibrado pressupõe realismo, no sentido de
não ser demasiadamente modesto, promovendo a desmobilização, nem demasiadamente
irreal e inatingível, o que implica enorme sensibilidade de quem o elabora. De
notar que a sensibilidade, enquanto virtude, não consta nos manuais, antes
deriva da curva da experiência e da intuição, será também decisiva na resolução
de problemas resultantes do orçamento, nomeadamente no combate aos vícios
orçamentais e na interpretação de desvios ao mesmo. Embora não haja nenhum
valor percentual previamente fixado para limitar os desvios orçamentais, eles
carecem necessariamente de justificação. Desta forma, um orçamento é um
instrumento de gestão. É um instrumento de implementação da estratégia da
empresa. É um instrumento de motivação, de comunicação e de avaliação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário